Dados pessoais:
Nome: Maria do Rosário Sá Pais
Data de nascimento: 09/01/81
Clubes anteriores: Académico da Feira, Boavista F.C.
Clube actual: Nenhum. Compete a nível Individual.
Principais Resultados:
Campeã Nacional Júnior 800m
Campeã Nacional Sub-23 Pista coberta 800m
Campeã Nacional Sub-23 Pista coberta 1500m
Internacional no Campeonato Mundial de Juniores
Presença no Campeonato Mundial Universitário.
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Rosário Pais é uma atleta que pode orgulhar-se de já ter no seu palmarés títulos e feitos relevantes no atletismo nacional e concelhio apesar de ser ainda uma jovem de 22 anos. As chamadas à selecção comprovam isso mesmo. Mas nem por isso deixou de ser a menina sempre prestável e até humilde que sempre foi. Convidámo-la a fazer esta entrevista e gentilmente acedeu o que desde já agradecemos pese o incómodo causado pelo tardio em que a entrevista terminou.
há uma substituição de gerações no atletismo nacional...
U.Lamas (UL): Rosário, como achas que anda o atletismo nacional?
Rosário Pais (RP): O atletismo nacional parece-me que está a sofrer de uma substituição de gerações. Após gerações com bons valores existe uma geração sem esses topo de gama e isso é mais visível no sector de meio fundo. Porém, a geração mais nova que agora aparece parece-me que poderá ter igualmente valores ao mais alto nível mesmo que em menor quantidade. De qualquer das formas, as chamadas disciplinas técnicas estão a evoluir, sector onde Portugal nunca foi muito forte. Agora já se vê atletas Portugueses nas grandes competições internacionais deste tipo de disciplinas o que mostra a evolução existente. No meio fundo continua a haver bons valores mas faltam as grandes figuras como em outros tempos.
os atletas são obrigados a ir para a estrada...
UL: A nível Estatal e da Federação parece-te que está a ser feito o que deve ser feiro no sentido dessa evolução?
RP: Não! Há muita escassez de recursos financeiros o que prejudica as carreiras dos atletas. Mas além disso parece-me que também há má gestão dos recursos nomeadamente os humanos. O Apoio dado aos atletas de alta competição é muito insuficiente e veja-se os casos de atletas que vão viver para Espanha argumentando isso mesmo. Também me parece que os subsídios são manifestamente insuficientes “convidando” assim os atletas a fazer pela vida nas provas de estrada o que leva a que dificilmente estejam em grande nível nas grande competições internacionais de pista. Penso que temos um bom exemplo aqui em Espanha onde os subsídios permitem a que os atletas apostem quase só nas provas de pista não tendo de recorrer aos prémios das provas de estrada para sobreviver.
UL: Já que falas em Espanha, achas que o seu regulamento de meio fundo onde permitem distâncias muito superiores para os jovens está na base da sua evolução no meio fundo?
RP: Não, acho que não. Até acho que isso é altamente anti-pedagógico. As melhores infraestruturas e melhores condições dadas aos atletas de alta competição é que estarão na base da sua evolução. Outro exemplo de algo que é prejudicial para o atletismo e o desporto em geral é o Euro 2004. A maior parte dos chamados Estádios para o Euro só servirão o futebol. Assim, deveriam ser chamados de campos de futebol já que é a única modalidade que se poderá fazer neles.
o nosso atletismo concelhio tem evoluído mas...
UL: E a nível do nosso concelho, como vês o atletismo?
RP: Tem evoluído. Evoluiu também essencialmente nas disciplinas mais técnicas. Lamento que apenas alguns clubes apostem verdadeiramente no atletismo. Para mim apostar forte é apostar na formação. Mesmo na formação, não se deve apostar apenas numa área como alguns clubes o fazem. A formação para ser correcta deve ser diversificada. Desta forma há muito pouca gente a trabalhar. De qualquer das formas já há valores individuais importantes e parece-me que a evolução é sustentada ou seja que irá continuar. Todavia acho que o apoio nomeadamente da Câmara Municipal devia ser maior e mais correctamente distribuído pelos clubes. Este apoio, financeiro e infraestruturas, tem de ser mais canalizado para os clubes que apostam na formação multidisciplinar e não para os clubes com mais atletas inscritos. Importa saber se os clubes trabalham e se trabalham com qualidade. Em relação aos eventos desportivos penso que aí a Cãmara já melhorou muito o seu apoio em relação a anos anteriores.
a cãmara deveria apostar seriamente apenas num clube que...
UL: Esse apoio de que falas seria assim muito importante para o atletismo?
RP: Claro! O maior apoio aos melhores clubes seria mesmo o que de melhor podia acontecer no nosso concelho.
UL: E o que achas da questão de ser muitos clubes mas não haver um clube muito forte em termos de pista em Séniores?
RP: O facto de haver mais clubes permite que muitos atletas tenham um clube á porta de casa fazendo com que porventura haja mais atletas. Assim os atletas ficam mais distribuídos pelo concelho. Claro que se torna assim mais difícil de haver um clube forte. A feira enquanto concelho tem capacidades para ter um clube forte. Seria muito difícil alguns clubes abdicar em função de outros. Mas acho que seria possível e desejável a Câmara Municipal apoiar seriamente apenas num clube que faça o verdadeiro atletismo. Assim poderia ser que o clube se fosse desenvolvendo, crescendo e quem sabe se isso não iria também “puxar” por outros clubes.
na minha opinião o U.Lamas é o melhor clube do concelho.
UL: Qual a opinião que tens sobre o atletismo no União de Lamas?
RP: É a melhor! O clube tem evoluído bastante no atletismo, tem feito a tal aposta séria no atletismo e com resultados visíveis a nível nacional. Tem atletas a passar para os escalões já de Séniores com qualidade. Na minha opinião, e não é por estarem presentes, o União de Lamas é o melhor clube do concelho. Pela formação, pela formação de qualidade e diversificada distinguindo-se assim de outros clubes. Tudo isso é visível nos resultados e feitos do clube.
agora e durante dois anos correrei apenas por lazer
UL: O que perspectivas para o teu futuro próximo?
RP: Nos próximos 2 anos vou apostar forte nos estudos. Faltam-me dois anos para conseguir tirar o curso superior de Professores de Ensino Básico na variante de Educação Física e quero dedicar-me ao máximo. O atletismo vai passar para um segundo plano nestes dois anos. Como practicamente não vou poder treinar prefiro não assumir compromissos com nenhum clube e assim comuniquei ao Boavista da minha pretensão. Ainda insistiram mas eu não acho correcto estar num clube como o Boavista e não poder corresponder às expectativas. 2 anos passam depressa e voltarei a dedicar-me ao atletismo a sério. Até lá vou correr consoante as minhas possibilidades e como individual. Desta forma sinto-me mais à vontade pois não terei pressão mesmo que mínima já que serei apenas eu a única pessoa envolvida nesta fase da minha carreira onde correrei mais por lazer. O meu futuro passam pelos estudos mas repito: voltarei em breve.
um dia representarei um clube do concelho
UL: Será possível vires a representar um clube do nosso concelho?
RP: Não digo que não. Tudo passará por haver uma melhoria nas condições dos clubes. Principalmente a nível de apoio técnico e de apoio médico. Mais isso do que a parte monetária da questão. Poderá ser num clube que aposte forte numa equipa femina, porque não? Penso que acabarei por vir correr para um clube do concelho nem que seja para o final de carreira.
UL: Rosário, obrigado por esta entrevista que tiveste a amabilidade de nos conceder. Boa sorte para os estudos, para a tua carreira e até quem sabe, se um dias destes poderás representar o nosso clube? Vamo-nos encontrar mais vezes por essas provas concerteza.